546390_254017998025682_162933836_n.jpg
241646_100505863376897_6195916_o.jpg

VÃO DE PASSAGEM [2009]

Trabalho que deu origem ao Grupo VÃO em 2009, Vão de Passagem é uma dança criada em um espaço inacabado e abandonado dentro da universidade. Tendo como motivação comum explorar as fronteiras e convenções da dança, do movimento corporal, do espaço onde acontece a cena e da relação com o público. O espetáculo busca instaurar uma presença coletiva que seja potente e porosa, em contraste com a concretude de um lugar inutilizado, esquecido e despercebido.  Os objetos e materialidades soterrados pelo tempo e abandono são reorganizados de modo a sugerir uma outra vida. Dois espaços são criados. Dois ambientes. O público é convidado a olhar de pontos de vista não habituais, no início com mais distância, espalhados em blocos de pessoas, depois ao redor, contornando o espaço, com mais proximidade, olhando nos olhos. Uma dança para gerar espaço, dentro e fora do corpo, de troca, de relação sensível com o outro, para estar junto de forma ativa e receptiva ao mesmo tempo.

+ infos em https://www.grupovao.com/vaodepassagem 

 

Oito personagens planejam uma viagem, mas no exato momento da partida percebem que o local de onde saem já não é mais tão familiar, fato apreciavelmente esquisito, uma vez que todas julgavam saber onde se encontravam, como se o lugar tivesse simplesmente se tornado outro. Estariam perdidas já, tão cedo (interrogação). O que exatamente teria mudado (interrogação). Antes que pudessem responder, foram subitamente tomadas de assalto pela percepção de que uma vez mais estavam em outro território, mas nenhuma delas lembrava-se de ter começado a viagem.

Tiveram a impressão de que os territórios estivessem misturando-se incessantemente, ou talvez, o tempo passasse a fluxos diferentes, e nada parecia poder parar quieto e simplesmente ser algo estático. Então perceberam que até elas não se sentiam mais as mesmas, e logo não lembravam quantas eram e nem sabiam ao certo onde terminavam e onde começavam as companheiras, como se seus limites fossem mais e mais líquidos, e suas personalidades territórios em constante movimento, que em nada diferenciavam do ambiente que agora já não parecia tão externo assim.

À medida que esta sensação de ausência de solidez instaurou-se, o grupo percebeu que a viagem já havia começado – de fato, ela sempre estivera acontecendo – e seu itinerário incluía territórios, pessoas, tempos, ideias, sensações e sentimentos sem que fosse possível distinguir claramente as fronteiras entre eles, simplesmente porque tais fronteiras não passavam de meras invenções

FICHA ARTÍSTICA

Concepção e direção | Grupo Vão

Dança e criação | Ana Maria Krein, Beatriz Barros, Carolina Minozzi, Isis Andreatta, Juliana Melhado, Mariama Palhares, Patrícia Árabe e Paula D’Ajello

​Orientação | Holly Cavrell e Renato Ferracini

Espacialidade | Pedro Campanha e Manuela Romeiro

Figurino | Manuela Romeiro

​Arte Gráfica | Pedro Campanha e Manuela Romeiro

Fotos | João Barison e Manuela Romeiro

​​Apoio | Lume Teatro